A ideia de propiciar um curso de sucessão para os filhos de fazendeiros partiu de Renato Guimarães, presidente da distribuidora de insumos agrícolas Sinagro. De acordo com o executivo, a sucessão é uma lacuna na formação dos jovens herdeiros. Para a companhia, que faturou R$ 1 bilhão na safra 2018/19, o curso é uma forma de estreitar os laços com os clientes.

O projeto ainda é piloto. A proposta é ter dois módulos. O primeiro foi em Cuiabá, e o segundo ainda será discutido com os alunos. Os participantes tiveram de pagar estadia e a locomoção até a cidade, mas a Sinagro arcou com os demais custos. “É uma forma também de nos aproximarmos desses sucessores. Hoje, essa geração tem outros jeitos de se relacionar”, disse ele.

Guimarães é sucessor, embora não familiar, do sócio-fundador da Sinagro, Marcos Vimercatti. “Quando o Marcos fundou a Sinagro, os modelos de negócio eram outros. A história da Sinagro se confunde com a história dos pais desses jovens que estão aqui hoje”, argumentou. O curso em Cuiabá contou com a parceria da FMC, multinacional americana de agroquímicos.

Em tempos de grande concorrência entre distribuidores, investir na relação com os clientes é um dos trunfos. “A gente tem de pensar como uma empresa, mas agir como uma revenda. O relacionamento ainda é muito importante”, acrescentou Vimercatti, que hoje é presidente do conselho da Sinagro.

Atualmente, o fundador da Sinagro tem 9% do capital da empresa. A indiana UPL, forte na produção de agrotóxicos, comprou uma fatia de 45% no capital da distribuidora em 2015. O Global Capital Fund, com sede nas Ilhas Maurício, detém os outros 46% do capital da companhia.

Ao vender o controle e deixar a gestão diária da Sinagro, Vimercatti também teve de aprender a separar os negócios das relações com amigos. “Antes da UPL, quase todas as recuperações judiciais ali do Cerrado nos atingiram, mas isso não acontece mais”, afirmou o empresário. “Sou amigo dos meus clientes, mas isso não pode definir a negociação”, disse. Com esse espírito, a Sinagro vem ampliando suas vendas. Na safra 2019/20, que acabou de começar, o objetivo é faturar R$ 1,3 bilhão.


Por Kauanna Navarro | De Cuiabá (MT)

Fonte: Valor Econômico